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(04/12) Depois de 9 anos, usuário resolve problema de “sorriso” involuntário com tratamento no CER Ritinha Prates

Já imaginou não conseguir parar de sorrir em momentos tristes, como um velório? Ou não tirar o sorriso do rosto mesmo com a derrota do seu time do coração? Foi exatamente isso que o morador de Turiúba, Hilson Barbosa da Silva, de 53 anos de idade, passou ao longo dos últimos nove anos. Diagnosticado com espasmo hemifacial, uma condição neurológica de contração muscular involuntária dos músculos da face, ele vivia “sorrindo” até nas situações mais delicadas.


A situação só caminhou para um final feliz quando ele começou o tratamento com toxina botulínica no CER III Ritinha Prates (Centro Especializado em Reabilitação). Silva foi encaminhado ao equipamento pelo AME (Ambulatório Médico de Especialidades) de Araçatuba e o tratamento foi feito integralmente pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Mas a estrada para chegar até esse momento foi longa. Silva conta que, assim que foi diagnosticado com o espasmo, em 2012, ele iniciou um tratamento medicamentoso que de nada adiantou. “Eu passei de médico em médico, sem que ninguém soubesse me dizer a causa específica para que isso acontecesse. Fiz o tratamento por anos com um remédio, mas nada adiantava”, diz.

Ele conta que tempos atrás um médico do AME falou da possibilidade da aplicação da toxina, no Ritinha Prates. Com o encaminhamento, Silva foi até o CER, onde passou por uma avaliação, e sentiu finalmente que o sofrimento poderia estar chegando ao fim.

Até agora, duas aplicações foram feitas pela neurologista Fabiani Honorato B. Lourenço, que é especializada no procedimento. E os resultados já podem ser observados. “A dosagem e a quantidade de aplicações varia de um paciente para outro. De forma geral, o efeito do remédio dura de três a seis meses, e contribui sensivelmente no tratamento dos distúrbios de movimento”, explica a especialista. Além dela, está envolvida no tratamento toda a equipe multidisciplinar do CER.

Credenciamento

O CER III foi credenciado em novembro de 2019 para realizar esse tratamento com toxina botulínica. A iniciativa de solicitar o credenciamento surgiu da demanda indicada pelos próprios usuários do equipamento, que passam por outros tratamentos na unidade de Araçatuba, mas tinham que ir a São José do Rio Preto (SP) para a aplicação da toxina.

A toxina botulínica é um composto de bactérias que age na placa responsável pela transmissão do estímulo nervoso que produz a contração muscular, dificultando a transmissão do estímulo e levando ao relaxamento da musculatura. Nos últimos 20 anos, foram vários os trabalhos que mostraram que, em baixa concentração, a substância pode ser usada para relaxar músculos contraídos, que é um sintoma de patologias. 

Muita gente conhece o efeito da toxina botulínica quando usada com finalidade estética, para atenuar rugas do rosto. A musculatura relaxa e a expressão fica menos contraída. Esse é, porém, seu uso marginal, porque há outros muito mais importantes para garantir a qualidade de vida de alguns pacientes, como é o caso da utilização terapêutica que vem sendo feita no CER III Ritinha Prates.

A Ritinha Prates

Sem fins lucrativos, a Associação de Amparo do Excepcional Ritinha Prates existe desde 1977, e trabalha na área da saúde e inclusão social, por meio do Hospital Neurológico Ritinha Prates, com a prestação de serviços especializados a pessoas com deficiências neurológicas profundas e irreversíveis. Atualmente, atende 60 usuários internos. A entidade também é a mantenedora do Centro Especializado em Reabilitação III – Ritinha Prates (CER III Ritinha Prates), que presta cerca de 500 atendimentos por mês.

Em março deste ano, a entidade iniciou os trabalhos da UCP (Unidade de Internação em Cuidados Prolongados), que conta com 24 leitos destinados ao acompanhamento de usuários com quadro clínico estável, mas que necessitam permanecer sob cuidados especializados por mais tempo. Na unidade são atendidos usuários de 11 municípios da área central da DRS-2 (Departamento Regional de Saúde).

Entre os valores da associação, que atende exclusivamente por meio do SUS (Sistema Único de Saúde), usuários de 40 municípios vinculados ao DRS-2 (Departamento Regional de Saúde), está o tratamento humanizado, além do respeito a conceitos éticos, morais, ambientais e filantrópicos.
 

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