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(10/09) A depressão e o coração
O Brasil é considerado o país mais ansioso e estressado da América Latina – ansiedade e estresse são os principais fatores que desencadeiam a depressão, que, por sua vez é o maior fator que leva ao suicídio. E, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), nos últimos dez anos, o número de pessoas com depressão aumentou 18,4%, o que corresponde a 322 milhões de indivíduos, ou 4,4% da população do planeta. No Brasil, 5,8% dos habitantes – a maior taxa latino-americana – sofrem com o problema. Vale lembrar que o Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio.

Em relação à ansiedade, o Brasil lidera com 9,3% da população. Esse problema engloba efeitos como fobia, transtorno obsessivo-compulsivo, estresse pós-traumático e ataques de pânico. As mulheres sofrem mais com a ansiedade: cerca de 7,7% das mulheres são ansiosas e 5,1%, deprimidas. Já entre os homens, o número cai para 3,6%, nos dois casos.

A depressão, a ansiedade e a síndrome do pânico são desordens mentais muitas vezes negligenciadas entre a família e os amigos devido ao desconhecimento que ainda existe sobre essas doenças. São problemas sérios e cada vez mais comum. De acordo com a OMS, é a doença mais incapacitante no mundo todo.

Além dos sintomas intrínsecos ao quadro – tristeza profunda, isolamento social, falta de entusiasmo com a vida –, a depressão (e mesmo o transtorno de ansiedade e a síndrome do pânico) agrava ou se soma a fatores de risco tradicionalmente reconhecidos como causadores das doenças cardiovasculares. É o caso da obesidade, do tabagismo, da hipertensão, do colesterol alto, do diabetes, do sedentarismo, entre outros.

Um estudo interessante sobre o tema, conduzido pelo médico Kalil Duaillib, professor titular de psiquiatria da Universidade de Santo Amaro (Unisa), foi apresentado no Congresso da Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo), em 2017. O trabalho deixa claro que o manejo do estresse e o tratamento da depressão – bem como da ansiedade e do pânico – contribuem para a redução da ocorrência de eventos cardiovasculares.

Os riscos são concretos, uma vez que os problemas de origem mental estão associados a situações comprovadamente ameaçadoras para o coração.

Um deles é a insônia, caracterizado pela demora excessiva para dormir, acordar com frequência durante o sono ou despertar antes do tempo adequado. Quem tem insônia e dorme por volta de seis horas por noite corre um risco 30% maior de desenvolver hipertensão no comparativo com pessoas com sono normal. Já quem tem insônia e dorme menos de cinco horas por noite enfrenta um risco 520% maior.

E, como se não bastasse, esse problema é uma via de mão dupla. Levantamentos apontam que os males cardiovasculares também fomentam a depressão. Um indivíduo que sofre um infarto, por exemplo, pode apresentar sintomas depressivos porque se sente culpado pela enfermidade ou por ter perdido algumas habilidades físicas. Por isso, é bom ficar atento, pois depressão e problemas cardíacos costumam andar de mãos dadas.

*Flávio Salatino é médico cardiologista

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